Claro que o reino das abelhas, por muito que saibamos e eu não sei nada, eu fujo delas, continua um mistério. Eu descobri agora que, as abelhas, morrem entre o 40ª e 43º dia de existência. Mas não se limitam a morrer. Elas querem morrer sem dar trabalho às suas companheiras mais jovens! Por isso, vão morrer longe da colmeia! Não vai muito tempo, eu andava a fotografar umas flores amarelas, uma espécie de malmequer e descobri que, em cada corola, se encontrava uma abelha morta.
Como as flores se encontravam junto a uma das avenidas da entrada saída de Lisboa, pensei que se trataria de uma trama da poluição. Até pode ser, mas também se pode dar o caso de elas irem morrer a um local por onde terão passado os seus últimos dias de vida e, preferencialmente, na corola de uma flor, seria um belo lugar para partir embalada para o outro mundo.
Esta ainda estava em plena azáfama, mas quem sabe se não seria a sua última refeição!
Esta estava com os meus amigos amarelo-negros de volta desta flor rosa e como não conseguia apanhar os grandes, entretive-me a apanhar esta pequena. Fujo delas mas, ao mesmo tempo, gosto delas. Até hoje e já lá vão muitos anos, só fui picado uma vez por uma abelha que deveria ter muito mau carácter. Eu estava todo nu, nos meus tempos de pequenez, num rio lá do Norte, a apanhar uma truta à mão e ela foi picar-me numa nádega. Essa abelha, ou tinha um pacto com as trutas, ou estava mesmo de má fé! Eu fiquei com a dor e ela foi desta para melhor.
Eles também andam a passear-se por estas flores selvagens.
Este abrunheiro, está neste momento a ser pasto de uns besouros abelhudos negros e, em sua volta assisto a grandes combates aéreos. Parecem aviões em combate, tipo Batalha de Midway. Eles voam, na vertical, em pleno combate e as pétalas destas minhas flores lindas, começaram a cair. Até parecem lencinhos brancos a dizer adeus ao Ventor. Lembrei-me do tempo em que no Cais da Rocha de Conde d'Óbidos os lencinhos brancos no meio de gritos e muitas lágrimas ficavam para trás pairando no ar agitados, enquanto o velho Niassa nos seus gritos estridentes e efusivos dizia adeus também!
Abrunheiro
Ali por Lisboa, eu entrava e saía a olhá-las. Elas ficavam admiradas por não me chegar junto da sua beleza amarela. Diziam-me que se continuasse a deixar para amnhã, elas partiriam sem eu lhe render a devida homenagem. Tive de ir lá de propósito! Ei-las, bem lindas!
Flores vistosas. Já estavam abismadas por eu não lhes ligar

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