A Primavera de 2026 sorriu-me. Tive dois dias lindos.
Tive de ir tratar de uns assuntos a Arcos de Valdevez e, problema resolvido, pensei ir comer uma pratada de cabrito a Castro Laboreiro. Nesse aspecto até tive azar mas, como o meu dia tinha começado bem, não liguei patavina ao sal que o cabritinho trazia a mais. Afinal é difícil conseguir um dia 100% bom!
Tinha estado na Senhora da Peneda com uma chuvinha miudinha a não me deixar alcançar os meus objectivos. Resolvi seguir rumo a Castro Laboreiro e, chegado a Lamas de Mouro, como ainda era cedo, resolvi apanhar a estrada que nos leva para S. Bento do Cando a ver se havia urzes. Andei uns 100-200 metros e vi umas urzes floridas semelhantes às que tinha encontrado entre a Peneda e Lamas de Mouro.
Cuco canoro o sacaninha penudo
Encostei o carro e comecei a fotografar. Estava todo contente e, como isso não chegava, o cuco esse malandro, desafia-me para cantar: "Oh, nortenho, oh minhoto, bota aí uma desgarrada comigo"!
Aquele malandro, desafiou-me mas desistiu antes de começar.
No segundo dia, na minha caminhada Adrão-Paradela no local a que chamamos o Poulo dos Garfos, apresentou-se-me a beleza que faltava, uma encosta que, para onde quer que olhasse, só via flores das ericas rosadas. Garantidamente que há 65 anos não via igual. Matei saudades de coisa parecida na serra do Avô há cerca de 40 anos mas vistas de longe e a minha máquina não chegava lá.

















