Estas janelas, em cima, são as janelas por onde espreito
Quico
Pilantras
Assim mesmo. Encostadinho à Box! Agora nem tenho estes amiguinhos para me remexerem com os cacos córneos mas continuarei a contar com eles para fazerem com que vá revivendo alguns pedaços do passado que fizemos juntos.
Continuarei com as nossas velhas caminhadas espreitando pelas janelas que preparei para não perder nada. Recapitularei uma coisa ou outras para me entreter e ir relançando por aqui alguma coisa que eu acredite que alguém possa achar interesse em ter tropeçado nela.
Agora, no meu cantinho e sentado na minha cadeira, faço uma retrospectiva de uma minha caminhada desonhos, pela margem do rio Nilo, onde "tropecei" no faraó Akhenaton e na sua bela esposa Nefretite. Esta noite também tive um sonho com a deusa Bastet que me falou dos meus gatos e recordou-me, vejam lá,esta conversatida com o meu Quico.
Estátua de Akhenaton no templo de Karnak
Comecei a folhear e deixo-a aqui para algum interessado dar uma olhada
A nascente das fontes, junto à estrada, este ano também me surpreendeu, com as suas urzes brancas embandeiradas e sorridentes a olharem para mim, apresentando-me as suas flores vistosas.
Como sempre, na minha caminhada entre Adrão e Paradela, a minha paragem ali é sagrada. Isto faço sempre. Chego, dou olhada, encosto o carro, saio, pego na máquina e dirijo-me à velha nascente. Digo olá às rãs e começo a disparar em todas as direcções. A era digital deu-nos essa oportunidade. Disparar, disparar, disparar, ...
Aponta para cima Ventor e dispara à vontade. Foi o desafio das urzes brancas pendurada sobre a água corrente. De facto cheguei a pensar que nunca mais as via assim tão bonitas. Em Agosto não há flores para o Ventor e muito menos das urzes.
As urzes brancas que nos enfeitam a nascente das Fonte
Estava tão entusiasmado que até me esqueci de colocar a máquina no respectivo comando. OK, falhei! Se calhar tudo foi planeado para voltar para o ano.
A Primavera de 2026 sorriu-me. Tive dois dias lindos.
Tive de ir tratar de uns assuntos a Arcos de Valdevez e, problema resolvido, pensei ir comer uma pratada de cabrito a Castro Laboreiro. Nesse aspecto até tive azar mas, como o meu dia tinha começado bem, não liguei patavina ao sal que o cabritinho trazia a mais. Afinal é difícil conseguir um dia 100% bom!
Urzes em Lamas de Mouro
Tinha estado na Senhora da Peneda com uma chuvinha miudinha a não me deixar alcançar os meus objectivos. Resolvi seguir rumo a Castro Laboreiro e, chegado a Lamas de Mouro, como ainda era cedo, resolvi apanhar a estrada que nos leva para S. Bento do Cando a ver se havia urzes. Andei uns 100-200 metros e vi umas urzes floridas semelhantes às que tinha encontrado entre a Peneda e Lamas de Mouro.
Cuco canoro o sacaninha penudo
Encostei o carro e comecei a fotografar. Estava todo contente e, como isso não chegava, o cuco esse malandro, desafia-me para cantar: "Oh, nortenho, oh minhoto, bota aí uma desgarrada comigo"!
Aquele malandro, desafiou-me mas desistiu antes de começar.
No segundo dia, na minha caminhada Adrão-Paradela no local a que chamamos o Poulo dos Garfos, apresentou-se-me a beleza que faltava, uma encosta que, para onde quer que olhasse, só via flores das ericas rosadas. Garantidamente que há 65 anos não via igual. Matei saudades de coisa parecida na serra do Avô há cerca de 40 anos mas vistas de longe e a minha máquina não chegava lá.